Blog do Bruno Camurati

Palavras despretensiosas de um músico sincero

Mais de Michael Jackson - The Wiz

July24

Com essa coisa toda de Michael Jacson por aí, lembrei que ele fez a versão black do mágico de Oz, chamada The Wiz. O filme é de 78, dirigido por Sidney Lumet (Serpico, Antes que o Diabo saiba que você está morto) e mostra uma Oz muito mais divertida e moderna do que o filme original. Imagino que depois de Hair, Jesus Christ Superstar e muitos outros, The Wiz já tenha vindo com uma bagagem de boas experiências musicais hippies, somadas a excelentes canções e uma direção de arte impecável pra época. Como filme não é genial, nem tem boas interpretações. Mas como visual e música é bem interessante.

Resumindo: é uma mistura de Godspell + a Fábrica de Chocolates + Motown.

Diana Ross faz a Dorothy, mas é Michael Jacson mesmo que rouba a cena como o Espantalho. Foi neste filme que MJ conheceu Quincy Jones, que produziria em seguida seu Off the wall. A movimentação dele como Espantalho é genial, muito bem trabalhada, e a música que canta ao redor dos corvos é a melhor do filme.

You can´t win

Divã

April22

Ok, por onde eu começo? Eu sei que vocês vão querer me matar, eu sei disso… Mas é que eu não gostei tanto assim. Sério mesmo. Ok, Lilia Cabral é única e fantástica, e também adoro Alexandra Richter e tiro o chapéu para Paulo Gustavo. Creio que o filme tenha boas questões dramáticas, me toca em alguns momentos. De fato é relevante em diversas formas. Mas a comédia…

Alguém me explique porque, para fazer comédia, é necessário perucas caindo de cabeça de padres, ou uma mulher ser derrubada por homens fortes na pista de dança? É constrangedor ver um filme com tanto a dizer apelar para este tipo de humor pastelão. Não fosse as cenas no salão de cabeleireiro, e as reações de Lília Cabral às diversas situações, eu realmente sentiria vergonha pela comédia do filme.

Conclusão: é bom, é divertido, vocês vão adorar… Mas sabe o que é? Fico com uma pena dos filmes realmente bons do nosso país, tipo “Estômago” ou mesmo “Saneamento Básico”, que não tem nem homens peludos sendo depilados nem velhas dançando desengonçadas na ‘balada’, e levam tão pouca gente ao cinema… Não acho que eu deva simplesmente ignorar meu senso crítico, relevar coisas que me incomodam num filme com aquele argumento de “ah, mas é divertido…” Não tem ‘ah, mas’, não preciso ser condescendente! Vou sempre esperar o melhor de um filme, porque sei que alguns conseguem corresponder e superar minhas expectativas. Pronto, falei!

Dúvida

February15

Imaginem uma escola super religiosa no Bronx, em 1964. Uma freira que é o diabo na terra, que disciplina e castiga os pequenos alunos que dirige além das demais religiosas de seu grupo. Uma outra freira, meiga e inocente em sua religiosidade apaixonada. Um padre moderninho (pra época), adepto do diálogo, do chopp informal e dos sermões inteligentes. Um aluno negro, isolado e carente de atenção.Você logo pensa comigo: que bando de clichês, né?

Eu respondo: bem poderia ser. Mas Dúvida, longa baseado na peça premiada, escrito dirigido por John Patrick Shanley, está bem longe deles. O que vemos na tela é uma tensa guerra entre a intolerância e a liberdade, entre as regras e a compaixão, porém onde a dúvida é rainha absoluta na mente dos personagens. Read the rest of this entry »

O curioso caso de Benjamin Button: e daí?

January22

Um filme bastante longo, de um diretor bastante talentoso, com atores bastante competentes pode ser bastante excepcional. Mas na realidade acaba sendo bastante mais-ou-menos.

O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher (Se7en, Clube da Luta, Zodíaco), levou três horas pra me convencer de que não chega a quase lugar nenhum. É uma história de amor bonita, de fato, mas nada emocionante. Não há nenhum acontecimento ou personagem no filme que nos toque profundamente (a não ser, talvez, a personagem de Tilda Swinton), e eu saí do cinema com a sensação de uma refeição bonita e farta, mas sem tempero. Read the rest of this entry »

Alguns filmes

November27

Assisti a alguns bons filmes no cinema, e recomendo que fiquem ligados:

  • REC é ótimo, um dos melhores do gênero “suspense de zumbi” (que tem outros bons exemplos, como Extermínio e Madrugada dos mortos), feito no melhor estilo Cloverfield. Pra quem gosta do gênero, é imperdível!
  • Vicky Cristina Barcelona é genial também, para quem prefere os filmes sobre relacionamentos. Ótimo texto, e excelentes atuações, destacando a Penelope Cruz. Woody Allem dos melhores.
  • Última parada 174 é mais um filme sobre a violência carioca, mas tem ótimas atuações, e a história é boa. Poderia ser mais interessante na sua edição e fotografia, mas é bom.
  • Na mira do chefe é um filme cujo título engana. Parece um filme idiota, mas é na verdade uma comédia-ação super inteligente, com textos bons e Colin Farrell em ótimo momento. Segue a linha de Xeque-Mate, e é uma boa diversão.
  • Estômago ainda está em cartaz, acho que há quase 1 ano, e só agora fui assistir a esse maravilhoso exemplar do cinema nacional. Um filme que fale de comida por si só já é bom, cheio de gorgonzola, cochinha, filé mignon e vinho… A trama é espetacular, e João Miguel arrebenta como Raimundo Nonato. Não sei o que você estava fazendo da vida que ainda não viu esse filme! Vai estar em cartaz no Claro Cine dia 6, junto com o Kung Fu Panda (que é uma boa animação também ao redor do tema “comida”…rs)

Qual é o filme?

October2

Advinhe o filme vendo só uma foto dele. É beeem difícil, mas alguns eu advinhei. São tipo mais de 2000.

Jogue clicando aqui!

categorias: cinema | 1 Comentário »

Ensaio sobre a cegueira

September29

Finalmente consegui ver o filme! E peço a todos que não deixem de assisti-lo nos cinemas. Vale muitíssimo a pena! Direção ótima, fotografia impressionante, atuações fantásticas. Não dá pra perder!

Linha de Passe

September10

Fui assistir ontem a Linha de Passe, filme de Walter Salles e Daniela Thomas que deu a Sandra Corveloni o prêmio de melhor atriz em Cannes. 

O filme retrata a vida infeliz de uma família da periferia de São Paulo, e suas tentativas de sobreviver em meio à pobreza, e a luta para alcançar seus sonhos, nem que seja uma pequena vitória. 

Linha de passe é lindo, triste, e impressiona pelo realismo e qualidade em todas as interpretações. Todos estão muito bem, e é uma história que te deixa tenso, envolvido e tocado. Na verdade, só de assistir a um filme que retrate a pobreza paulistana já é um alívio, já que o cinema brasileiro já retratou muito as favelas cariocas. Motoboys, aspirantes a jogadores de futebol, jovens crentes e domésticas de São Paulo são personagens necessários para que possamos entender melhor a complexidade da nossa sociedade. E este filme é excepcional em um retrato cruel e realista da periferia.

Infelizmente, o filme opta por um desfecho no estilo Caché (e quem já viu esse filme saberá do que estou falando…). Um filme bom como esse merecia um final coerente, e mesmo que existam explicações até satisfatórias para o desfecho, ainda fico decepcionado. Qual a necessidade de terminar um filme de forma brusca, sem ao menos uma pista de futuro?

Estou longe de ser um espectador preguiçoso, mas creio que o filme acaba perdendo com esse fim. Uma pena. Vale a pena ver? Sim. O filme é muito bom, e se tivesse um final seria perfeito. Eu veria de novo? Não, não creio…

Era uma vez…

August28

Ai que moço preguiçoso eu… Não to mais com tempo pra escrever, e quando tenho tempo, tenho também preguiça… ninguém merece.

Vou falar, nem que seja brevemente, sobre o Era uma vez…, filme de Breno Silveira (diretor do belo 2 filhos de Francisco). É um ótimo filme, que retrata de forma muito fiel a realidade da Zona Sul carioca, a coexistência dos muito ricos e muito pobres nas areias de Ipanema.

Podemos ver no filme os prédios caros da Vieira Souto, em frente dos quiosques que vendem côco, as raves na areia, a favela tão próxima do asfalto, ainda que tão distante. Thiago Martins empresta toda a sua vida de morador de favela para seu personagem de Dé, que é muito realista e interpretado de forma excelente. Vitoria Frate também convence muito como a patricinha Nina, e o filme traz esta história de amor entre diferentes mundos.

É um lindo conto, cujas situações são muito verossímeis, e o filme emociona demais, principalmente quando mostra o descaso e preconceito como o pobre Dé é encarado, simplesmente por ser da favela. É uma pena que o final do filme seja tão ruim. Sim, o final é difícil de engolir, principalmente depois de um lindo filme. Lastimável mesmo.

De qualquer forma, acho muitíssimo válido assistir a Era uma vez… O cinema nacional merece nossa visita.

Hancock

July9

Engraçado como você pode gostar menos ou mais de alguma coisa de acordo com suas expectativas. Fui assistir Hancock ontem, esperando que seria uma bela porcaria. Saí do filme bem satisfeito, mas algo me dizia que não era realmente bom o filme.

Depois parando pra pensar, e conversando com quem tinha visto, percebemos várias coisas. Misturar drama com comédia pode até dar certo, mas quando feito de forma errada é desastroso. Imagina você vendo uma cena tensa ou triste ao som de uma trilha feliz no estilo Desperate Housewives… Perde totalmente o clima. Além, claro, das muitas incoerências e erros de roteiro que existem.

Apesar disso, é uma boa diversão. Will Smith é ótimo no papel, além dos demais atores. Pode ir tranquilo e não espere uma obra de arte… rs

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