Blog do Bruno Camurati

Palavras despretensiosas de um músico sincero

It’s me - Sara Groves

October28

Que sensibilidade de Sara Groves, em seu novo trabalho, Fireflies and songs, um cd mais focado pro lado pessoal da cantora/compositora

Nesta música ela abre uma confissão sobre a dificuldade de relacionamento num casamento, da forma mais honesta, simples e linda. Genial!

“Run for your life, all tenderness is gone
In the blink of an eye all good will has withdrawn
We mark out our paces and stare out of our faces
Baby you and I are gone, gone, gone…”

Prazer em conhecer: Jonny Lang - Turn Around

September28

Eu sou músico, compositor, todos sabem. Mas sou pouquíssimo antenado com música de rádio. Acabo escutando só aquilo que gosto, incessantemente. Também sou muito criticado por certos amigos por não gostar de rock. O que eu posso fazer? Música nervosa não faz meu estilo. Por isso quando ouvia antes o nome Jonny Lang eu meio que ignorava, por achar que era um guitarrista roqueiro que não me interessaria.

Certa vez, pesquisando sobre capas de CD cristãos lá de fora na Amazon, me deparei com o cd do Jonny Lang, Turn Around. “Ué, o que esse cara tá fazendo aqui?”, pensei. Aí fui pesquisar e ouvir. Descobri não só que eu gostava muito do cara, como também este CD ganhador do Grammy em 2006 é totalmente dedicado a Deus, de uma forma muito moderna, madura e bem-feita. Read the rest of this entry »

O pequeno musical em meio aos gigantes.

September14

Estamos felizmente com musicais gigantescos e excelentes em cartaz. Hairspray e O Despertar da Primavera são grandiosos e muito bons, mas ofuscados por eles estão ótimas produções menores que deveriam ganhar a atenção do público. Entre elas há um pequeno musical com grande impacto chamado Fedegunda, de Karen Aciolly.

Resultado de um work in progress realizado em 2008 no 6º Festival Intercâmbio de Linguagens (FIL), Fedegunda tem texto e direção de Karen Aciolly, combinado com música do compositor francês Camille Rocallieux.

É uma opereta (99% cantada) onde a menina Fedegunda perde seu coração. Ela vai embusca dele pelo Mar, o Vento, o Desejo e o Tempo… É pequeno, simples e mágico, causando impacto justamente pelas músicas lindas, interessantes e nada monótonas, tocadas no cravo, violoncelo e cajon.

Mais impressionante fica a peça quando vestida pelos excelentes atores-cantores-bailarinos-percussionistas, 3 deles vindo de produções de Moeller-Botelho, como 7 e Beatles num céu de diamantes. Todos afinadíssimos, entrosados e representando muito bem. Não estariam completos sem Camila Caputti, uma atriz completa e competente fazendo a Fedegunda.

Vale mais do que os R$10 reais de ingresso, com certeza.

CCBB

De 2 de agosto a 18 de outubro
Sábados e domingos, às 17h
Teatro II

Entrada: R$10 e R$ 5 (meia para estudantes, professores, funcionários e correntistas do Banco do Brasil e maiores de 60 anos)
Bilheteria: Terça a domingo, das 10h às 21h | Tel: (21) 3808-2007

Duração: 60 min
Classificação: Livre

A resposta jovem à misericórdia de Deus

September8

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“Um santo não é alguém bom, mas alguém que experimenta a bondade de Deus”, disse o monge americano Thomas Merton. A experiência da misericórdia divina e a esperança são temas principais deste segundo álbum do talentoso cantor e compositor Diego Fernandes, Não desista de viver.

Depois do CD de estreia, Folha em branco, onde Diego falava da disponibilidade ao serviço nas mãos de Deus, este novo trabalho concentra sua mensagem na conversão e na misericórdia de Deus. E devo dizer que fala de uma forma que poucas vezes escutamos dentro da Igreja, com extrema humildade. Diego nos mostra que o Amor é incondicional e sem reservas. Essa temática é cantada de forma alegre e cheia de esperança, como uma grande celebração ao Senhor.

Para expressar da melhor forma esta esperança e louvor, o produtor Duda Suliano traduziu as composições empolgantes de Diego Fernandes de forma jovem e explosiva, com arranjos de pop-rock cheios de força, que não ficam atrás das melhores bandas internacionais do gênero. Muitas canções dão vontade de pular e cantar bem alto, como Templo Vivo e Dança de Avivamento. Outras nos fazem levantar a cabeça e cantar de braços abertos ao céu, como Converte-me Senhor e Há esperança (esta dividida em duas faixas, com um lindo momento de oração). A faixa-título, Não desista de viver, é um hino de conversão para todo jovem católico, de todas as idades. Todas as faixas são perfeitas para animar qualquer grupo de oração, e não passam sem deixar uma mensagem forte no coração.>

Além disso, há um belo poema no meio do CD, Onde estás, que dispensa comentários e conta com um lindo fundo instrumental. Aliás, é impecável a qualidade musical deste trabalho, com uma bateria presente e real, um baixo criativo e ótimas guitarras, que colocam o som de Diego na atualidade e ao mesmo tempo tem qualidade atemporal. A voz de Diego Fernandes está linda, forte e cheia de paixão na interpretação.

Como última nota, não baixem nem copiem o CD. O encarte, além de traduzir o clima das músicas, vem com cifras e frases retiradas da Bíblia e de livros que inspiraram as composições, e complementam a sua experiência musical. Vale muito mais ouvir as canções tendo em mãos o livreto.

Não me espantará em nada se daqui há alguns anos eu entrar em algum grupo de oração de uma paróquia no interior e ouvir as músicas de Diego Fernandes sendo cantadas a alta voz pelos fiéis. Nem ficarei surpreso se um ministério jovem e iniciante fizer shows com covers das músicas. Não desista de viver é um CD marcante que vai transformar muitos corações, e revelar a imensa e maravilhosa misericórdia de Deus.

Bruno Camurati
cantor e compositor católico

Conheça trechos das músicas deste novo CD no blog do Diego Fernandes (www.diegofernandes.com)

BBB-Perrengue e a maldição do voto popular

July31

Eu tentei. Tive esperanças, fiquei ansioso. Mas no fundo, sabia que não tinha como esperar muito. No Limite estreiou ontem, e o que era pra ser comemoração tornou-se frustração.

Como disse em um post recente, o diferencial do Survivor é justamente a ausência de voto popular. Isto possibilita que haja intrigas, traições, panelinhas, maldade a vontade, pois em nenhum momento o participante está sendo julgado pelo público. E mais, muitas vezes quem ganha é justamente quem sacaneou muita gente para chegar ali. Isso faz com que o jogo seja justo, resolvido não só pela resistência mas pela inteligência e estratégia. Mas pra que fazer bem-feito?

No Limite será em tempo real, e com “paredão”. Porque o interesse da Globo é justamente a audiência, que se dane a qualidade. Todo dia vamos ver como os jogadores estão sofrendo, teremos provas e portais ao vivo. Os heróis (sim, porque ao contrário do BBB estes são heróis mesmo) vão passar mais de 60 dias no sol e na areia. No final, advinha quem vence: o mais bonito, ou o mais carismático. Inferno!

Além desse aspecto, que já desqualifica de cara o programa, vem os aspectos técnicos. A edição é muito lenta. Não entendemos bem o que acontece, não conseguimos captar a personalidade dos participantes, e não há depoimentos o suficinte. Nem vimos votos serem discutidos ou grupinhos formados (ih, é, esqueci. Eles não podem fazer isso, senão o público vai achar malvado e eliminar do jogo). Os gráficos com os nomes das pessoas é TOSCO e não se preocuparam nem em agrupa-los na ordem das equipes.

Não posso deixar de comentar de Zeca Camargo. Ele tem jeito pra apresentar isso, no tom certo. Mas a narração da prova de imunidade (que aí sim foi copiada igualzinha do Survivor) foi uma gritaria só. Se aprendesse com Jeff, o apresentador gringo, veria que é uma narração do que está ocorrendo para o público, e não uma berração ‘a lá xuxa na rede manchete’.

Além disso, ele conseguiu piorar ainda mais, quando no Portal comentou sobre algo que uma participante falou num depoimento. Ora, a ideia do jogo é (seria..) que os jogadores enganem seus parceiros, e se algo é comentado de um depoimento pessoal, isso estraga o jogo dos participantes. Além disso, ele ainda comentou que alguma participante “é mais forte do que parece”. Não se pode fazer este tipo de comentário, há que deixar que os próprios jogadores descubram isso.

Enfim, não sei se vou continuar a assistir a esse BBB-Perrengue. Pra que? O público não sabe votar!

Spring Awakening - Left Behind

July24

No fim de agosto estreia o novo musical de Moeller e Botelho, O Despertar da Primavera. Não vejo a hora de assistir esta montagem, que até onde sei é bem polêmica. O visual e a história me lembraram um pouco de Sociedade dos Poetas Mortos, imagino que seja um belo espetáculo.

Enquanto não chega, ouçam esta que é, na minha opinião, a melhor música da peça, Left Behind. Pelo que entendi, esta música é cantanda num funeral de um adolescente que se mata, e é uma mensagem aos pais sobre tudo o que o jovem rapaz deixou pra trás. Uma pequena obra prima.

Mais de Michael Jackson - The Wiz

July24

Com essa coisa toda de Michael Jacson por aí, lembrei que ele fez a versão black do mágico de Oz, chamada The Wiz. O filme é de 78, dirigido por Sidney Lumet (Serpico, Antes que o Diabo saiba que você está morto) e mostra uma Oz muito mais divertida e moderna do que o filme original. Imagino que depois de Hair, Jesus Christ Superstar e muitos outros, The Wiz já tenha vindo com uma bagagem de boas experiências musicais hippies, somadas a excelentes canções e uma direção de arte impecável pra época. Como filme não é genial, nem tem boas interpretações. Mas como visual e música é bem interessante.

Resumindo: é uma mistura de Godspell + a Fábrica de Chocolates + Motown.

Diana Ross faz a Dorothy, mas é Michael Jacson mesmo que rouba a cena como o Espantalho. Foi neste filme que MJ conheceu Quincy Jones, que produziria em seguida seu Off the wall. A movimentação dele como Espantalho é genial, muito bem trabalhada, e a música que canta ao redor dos corvos é a melhor do filme.

You can´t win

Um belo jogo duro!

June7

O novo reality show da Globo teve início este domingo, provando que o gênero continua vivo e com muito gás, e ainda nos proporcionando uma atração pela qual esperar na noite de domingo: uma espécie de Jogos Mortais ou Albergue em forma de competição.

Jogo duro tem regras simples. Alguns participantes são colocados em ambientes fechados e devem recolher a maior quantidade de dinheiro possível. O último a sair do ambiente é eliminado, assim como aquele que arrecadar a menor quantia. Só com esses parâmetros já temos uma competição interessante, onde há disputa acirrada pelas notas, assim como uma corrida para não ser o último, juntando a ganância com a luta pela ’sobrevivência’. Qual instinto prevalece: colher muitas notas de dinheiro, que você sabe que estão lá, ou preocupar-se em não ‘morrer’, disputando a cotoveladas a saída por uma única porta entre os demais jogadores?

Se as regras já são intrigantes, a ambientação torna tudo mais assustador. As provas se passam numa fábrica antiga, e as salas são ora porões baixos cheios de poeira, ora laboratórios com cola no chão, e até mesmo uma sala de máquinas que aos poucos se enche de água. Tudo claustrofóbico, estreiro, com iluminação digna dos filmes de terror. Se acrescentarmos a todas as provas os ratos, cobras, sapos e fígados podres, temos aí quase um show de tortura, e isso torna a luta pelo dinheiro muito mais cruel e sádica.

Para dar um toque ainda mais sombrio, Paulo Vilhena apresenta o programa com um tom muito frio, baixo e distante, colaborando para a atmosfera sinistra sem soar artificial ou pedante. A montagem do programa é ágil e as tomadas são interessantes, fazendo do episódio uma experiência curta e muito emocionante.

Assistir a Jogo Duro é uma experiência angustiante e cheia de adrenalina, com uma produção digna de cinema. Se a fórmula não se tornar repetitiva, tem gás para aterrorizar por muitos outros episódios.

Divã

April22

Ok, por onde eu começo? Eu sei que vocês vão querer me matar, eu sei disso… Mas é que eu não gostei tanto assim. Sério mesmo. Ok, Lilia Cabral é única e fantástica, e também adoro Alexandra Richter e tiro o chapéu para Paulo Gustavo. Creio que o filme tenha boas questões dramáticas, me toca em alguns momentos. De fato é relevante em diversas formas. Mas a comédia…

Alguém me explique porque, para fazer comédia, é necessário perucas caindo de cabeça de padres, ou uma mulher ser derrubada por homens fortes na pista de dança? É constrangedor ver um filme com tanto a dizer apelar para este tipo de humor pastelão. Não fosse as cenas no salão de cabeleireiro, e as reações de Lília Cabral às diversas situações, eu realmente sentiria vergonha pela comédia do filme.

Conclusão: é bom, é divertido, vocês vão adorar… Mas sabe o que é? Fico com uma pena dos filmes realmente bons do nosso país, tipo “Estômago” ou mesmo “Saneamento Básico”, que não tem nem homens peludos sendo depilados nem velhas dançando desengonçadas na ‘balada’, e levam tão pouca gente ao cinema… Não acho que eu deva simplesmente ignorar meu senso crítico, relevar coisas que me incomodam num filme com aquele argumento de “ah, mas é divertido…” Não tem ‘ah, mas’, não preciso ser condescendente! Vou sempre esperar o melhor de um filme, porque sei que alguns conseguem corresponder e superar minhas expectativas. Pronto, falei!

Dúvida

February15

Imaginem uma escola super religiosa no Bronx, em 1964. Uma freira que é o diabo na terra, que disciplina e castiga os pequenos alunos que dirige além das demais religiosas de seu grupo. Uma outra freira, meiga e inocente em sua religiosidade apaixonada. Um padre moderninho (pra época), adepto do diálogo, do chopp informal e dos sermões inteligentes. Um aluno negro, isolado e carente de atenção.Você logo pensa comigo: que bando de clichês, né?

Eu respondo: bem poderia ser. Mas Dúvida, longa baseado na peça premiada, escrito dirigido por John Patrick Shanley, está bem longe deles. O que vemos na tela é uma tensa guerra entre a intolerância e a liberdade, entre as regras e a compaixão, porém onde a dúvida é rainha absoluta na mente dos personagens. Read the rest of this entry »

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