Blog do Bruno Camurati

Palavras despretensiosas de um músico sincero

Saudades

July23

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Chegava em casa, algumas kombis depois… Andava a pequena rua cheia de amendoeiras cantando, às vezes  correndo, outras caminhando de olhos fechados pra ver se mantinha a linha reta… se era de madrugada, poderia até dançar. Cantando, sempre. Enquanto caminhava, lembrava dos tempos ainda mais antigos, quando trilhava com a bicicleta as calçadas cheias de obstáculos, ou subia no alto da goiabeira só pra pular em seguida. Caminhando, via também a linha apagada que um dia delimitou tantos jogos de queimado, os cantos escuros que serviam de escondeirijo no pique-esconde, e até os mascotes de Copas passadas em pinturas já desgastadas no asfalto.

Chegava em casa, abrindo o portão que nunca teve fechadura, só cadeado. As cachorras levantavam uma orelha, subiam um pouco a cabeça pra ver quem tinha chegado. Beijava o pai na testa, ele que dormia no sofá com o controle na mão — jurava estar acordado — e relutava subir pra dormir de verdade De vez em quando o pai falava algo e sorria percebendo a chegada, e no segundo depois voltava a dormir, cansado de mais um dia de trabalho pela família. Beijava a mãe, que passava as roupas enquanto via TV e esperava o filho ocupado chegar. Sentavam-se os dois, mãe e filho, na cozinha e ligava o microondas para requentar o jantar — bife bem temperado, um risoto, vagens ou feijão.Ali na mesa a mãe perguntava sobre o dia, os projetos. Se tinha comido direito, e como andavam os ensaios, quais são as músicas do show… Nem sempre tinha todas as respostas, caladas pela preguiça.

Subia os degraus pro quarto, a mochila ficava na mesa, o tênis embaixo da escada, ou deixado junto do sofá. Computador ligado, algumas coisas pra fazer, a noite ainda demoraria a terminar. No entanto, não fechava os olhos antes que o pai ou a mãe abrissem a porta de leve, só pra dar boa noite ou somente olhar se estava ali, já dormindo.

Ouvia o barulho do chuveiro no meio do sono, era o pai indo trabalhar. Despertador tocando, tocando novamente, e outra vez. Chuveiro, roupas, torradas manteiga e mel, um copo de iogurte. A mãe ainda tentava extrair mais informações, mas a razão do silêncio era agora o mau-humor matinal. Carona até o ponto, um beijo, algum dinheiro pra passagem, e outro dia começava.

Faz menos de um ano que esta cena não acontece muito mais, e eu estou com uma saudade enorme…

Sobre composição consicente

June2

Este é um texto do John Mayer, que eu traduzi aqui pois achei muito bom!


Um dos pontos principais da minha abordagem sobre a composição hoje em dia é algo que passei a chamar de “composição conscinente”.

Composição consciente é compor não apenas mudanças de acordes, como por exemplo uma sequência de 4 acordes numa levada pop ou rock, mas também escrever pensadamente a letra e a melodia sobre ela. É o exato oposto de “entrar numa sala e fazer uma jam”. Claro, eu poderia juntar um baterista, um baixista, um órgão e um trio de vocais, mas sem o tempo gasto investigando letras, ideias, seleção de notas etc, tudo que vou conseguir (no máximo) é um groove que não alcança mais do que ideias muito básicas. Mesmo que eu consiga tranformá-la em algo sofisticado, ainda é porque eu estava pensando em uma composição consiente lá no início,  mas só consegui gerar a ideia na hora da jam… Quando não há bastantes desses momentos conscientes de composição para se basear, a energia criativa de fazer música se perde.

Mesmo o ato de entrar no estúdio com um violão e um microfone e cantar e tocar até que saia algo que valha a pena, ainda não é consciente o bastante, porque minha mente ainda sabe que tem alguém operando a mesa desta gravação, e meu cérebro vai se voltar pra performance e certificar-se de que eu não cante ou toque nada vergonhoso. O trabalho tem que ser feito sozinho e bem antes.

Desfazer auto-consciencia e passar pra consciencia criativa tem sido e ainda é um processo muito intimidador. Não há nada novo nesta fórmula: o cara coloca todas suas forças em fazer música; a música o recompensa com tudo o que ele tem; o cara esquece como fazer música como ele fazia. No entanto, há uma forma de usar tudo que a música me deu para cavar ainda mais fundo que antes. Estou feliz por ter tido todos esses anos de experiência tocando violão e guitarra antes de fazer sucesso, e estou feliz que eu tenho os recursos para fazer o que for preciso para ficar focado no lugar que conheço tão bem.

É mais fácil terminar mais cedo seu dia e ir jantar, mas isso em nada ajuda a responder a pergunta: “e por que você está ocupando espaço aqui na Terra mesmo?”

Não digo que algum dia eu não passarei por uma menopausa musical, só não vai acontecer agora. Ser um compositor consicente me manterá relevante, e é nunca pensar que posso fazer um CD só entrando no estúdio e tocando que eu vou retribuir o que o sucesso me deu até hoje.

Pequenos prazeres

April17

Ipanema - 21:00h

A semana foi estressante, e a ironia reside no fato de que seria uma semana de férias, que em favor da quantidade de trabalho na empresa teve de ser prudentemente adiada. Meu rosto cansado e minhas horas de sono diziam que a sexta-feira com feriado não poderia vir em melhor hora.

Passo despretensiosamente no mercado, e penso que a noite sempre fica melhor com chocolate. Afinal, ainda faltam alguns episódios de Brothers and Sisters, e eu me conheço, faminto da madrugada. Na minha cesta passam um Sucrilhos de mel, uma caixa cara e linda de framboesas… É o flerte com a gula, eu sei. No entanto, a razão volta tudo às prateleiras. Ainda tentando imaginar algo que precisasse do mercado (além do chocolate), me deparo com um conjunto de caixas de vinhos em promoção. Muito barato, e de fato não temos nenuma garrafa de vinho em casa, só algumas Absolut que parecem servir mais como um dos poucos enfeites num apartamento recém alugado.

00h15

Faltam alguns episódios pra assistir, e a fome bate. O silêncio da madrugada só é interrompido por alguns jovens barulhentos pegando o elevador no andar de baixo em direção à night. Como é relaxante a sensação de que você pode descansar por algumas horas, e ter dias pela frente cheios de compromissos gostosos, familiares e amigos. Como se acabasse de percorrer uma avenida com um piano nas costas, o alívio e a sensação de dever cumprido tomam lugar. E enfim a mente pensa numa forma de recompensar-me por um belo trabalho.

O chocolate se junta à manteiga sem sal guardada de receitas passadas, somando com os ovos recém comprados, o açúcar e a farinha de trigo que só eu pareço lembrar que consta da dispensa. A lembrança encontra a receita de petit-gateau de chocolate – a primeira que fiz – e o prazer de preparar uma sobremesa no calar da noite é o suficiente para pré-aquecer o forno. Chocolate derretido com a manteiga, ovos e gemas sem claras, peneira transpassada pelos ingredientes secos, tudo se mistura na madrugada. A pretensão adiciona um tanto de café, e umas pitadas de canela, e os dedos untam com manteiga e Nescau o potinho verde – verde como quase tudo na pequena cozinha.

00h55

O tempo da mágica no forno é o mesmo da ideia de que nunca um vinho pareceu tão predestinado. A garrafa lá, gelada, a taça providencial e o tabuleiro saído do forno revelam o ritual que tomaria lugar no quarto. O silêncio reverenciava a delícia do pequeno bolo que derretia por dentro de si mesmo, e o vinho gelado tornava tudo perfeito.

Recosto na cadeira com a sensação de recompensa. Vejo como são preciosos estes pequenos prazeres solitários, calados e suaves. Penso como seria interessante tirar uma foto deste momento, e em seguida percebo que preciso exibir meu auto-presente neste blog já empoeirado. Começo o texto com um local e um horário, e subitamente percebo como as palavras são tão bonitas quanto o próprio sentimento.

O arco se completa com esta crônica imprevista, rara e revigorante, que despertou o escritor iniciante que nem lembrava que existia no meio de tantos Brunos morando num espaço tão pequeno. E o ponto final que agora verão será seguido, se me permitem, por uma derradeira taça de vinho antes do fim desta feliz noite.

pequenos-prazeres

E você pensava que o petit-gateau esperaria pela foto? De jeito nenhum!

Lembra

April3

Uma letra de música para vocês comentarem. (a pedido da Déa)… rs

Lembra da primeira vez que eu te via
No espelho a alegria de ter te encontrado era real
E batia no meu peito uma esperança
Meu canto tinha enfim um texto e um pretexto pra sair
Podia então sorrir, a paz estava lá
Não fazia mal, só queria o bem
Lembra quando te jurei o meu amor com vontade de viver… lembra?

Lembra de quando te virei as costas
E zombei de tuas palavras
Hipocrisia era natural
É difícil desfazer-me da lembrança
Já não queria ser teu filho
Um brilho que eu mesmo apaguei
Deixei de te escutar, só ouvia minha voz
Me fazia mal, parecia bom
Lembra quando eu pisei no teu amor com vontade de morrer… lembra?

Lembra dos pecados, da vergonha, e do medo de te olhar?
Lembra a solidão, e o meu coração
Que ainda procurava em vão outra saída que não fosse teu perdão?

Lembra daquele jovem dedicado e que depois se viu jogado
Hoje uma história sem final
Ele pede chance pra recomeçar a andar
Meu canto em branco pede texto e um pretexto pra voltar
Sangrando mas de pé, em busca dessa paz
Ontem fica o mal, hoje quero o bem
Apaga o que fui e me refaz com amor
Me criaste por amor… lembra?

Mania de explicação

December8

Às vezes é melhor abrir espaço nos meus textos pra que algum outro texto muito bom faça-se presente. É o caso de Mania de explicação, da Adriana Falcão.

Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.
Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer “eu deixo” é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da placa “perigo” o desejo vai e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero… Também não. É um desadoro… Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.

Maltrapilho 2

September15

Ok, chega de suspense. Depois da letra, mostro pra vocês a música. Maninho cantou no show de Presidente Prudente na 5a passada, e pretende gravá-la em seu próximo cd. Realmente é uma canção linda. Escrevê-la em parceria foi mais bonito ainda. 

Na verdade assim aconteceu: Maninho tinha esta melodia “estilo Ana Carolina”, e me deu para que colocasse letra. Fiquei algumas semanas num dilema, pois não queria estragar uma linha melódia tão bonita com qualquer letra boba. Decidi depois de um tempo falar sobre este tema, do preconceito e hipocrisia dentro da Igreja, e de como o Evangelho de Cristo é inclusivo e amoroso. Deixei somente o refrão incompleto, para que meu amigo pudesse completá-lo.  Maninho pegou a música e, numa partilha comigo online, falando sobre este tema tão íntimo pra mim e pra ele, achou a frase perfeita para fechar.

Lágrimas e mais lágrimas, felicidade e certeza de que, mais do que uma música, Maltrapilho é um hino para todo e qualquer cristão que foi excluído, perseguido ou vítima de preconceito. Aquele que é privado do convívio na Igreja, por não se encaixar nos padrões que são esperados de uma comunidade cristã. A eles, esta canção:

Maltrapilho

September1

Conta a história que um pecador notório foi excluído e proibido de entrar na igreja. Ele levou as suas dores a Deus:
— Eles não me deixam entrar, Senhor, porque sou um pecador.
— Do que é que você está reclamando? — Deus perguntou. — Eles também não me deixam entrar.

(Manning, Brennan, O Evangelho Maltrapilho, Editora Mundo Cristão)



MALTRAPILHO
Maninho/Bruno Camurati

Paro por aqui
Não posso passar pela porta dos perfeitos
Proíbem meu jeito, defeito não é bem aceito aqui
Acesso negado

Quero te seguir
Será que me deixam aproximar de ti?
Tocar no teu manto, comer nesta mesa, beijar teus pés
Sentir o amor que não tem ressalvas
Que salva o que é meu
Que me chama a estar contigo

E assim posso esperar
que seja aquela mesma esquina
ou mesmo do lado de fora
ninguém merecerá
mas tua graça me conforta
que deixa ao fim Te alcançar


Impressões?

…Leva um tempo

November4

Ainda não quero mostrar a música. Mas queria dialogar com vocês sobre a letra de uma canção nova que eu fiz, chamada “Leva um tempo”. Queria que lessem e me dissessem o que absorveram dela, qual a interpretação, ou o reflexo da música em vocês… Ou críticas, sempre bem vindas. Não vou explicá-la. Prefiro antes ouvir vocês.

Leva um tempo

Leva tempo até você perceber
Num piscar de olhos, lá está você
Perdido vai você
Tão sozinho

Leva um tempo pra admitir que errou
Leva dois joelhos, cabeça baixa
Um sacramento leva um momento
Mas até lá, quanto tempo…

Um segundo te faz ir tão longe e tão fundo
Pelo mundo vagar
E por anos o orgulho te impede de andar
Leva um tempo e humildade pra voltar

Para amar, é preciso conhecer
Pra curar, às vezes, precisa doer
Quando nada mais pode fazer,
Esperança

Leva notas e versos esta canção
Pra que faça efeito, abra seu peito
Olhos fechados, pense em seus passos
Leva uns minutos, não mais

Um segundo te faz ir tão longe e tão fundo
Pelo mundo vagar
E por anos o orgulho te impede de andar
Leva um tempo e humildade pra voltar

E por mais que esteja longe
Ele sempre te espera
Paciente está lá
Leva só uns poucos passos pra se aproximar
E em seus braços Ele então te acolherá

…sensibilidade

October19

Nossa, como estou sensível hoje. Acho que foi o filme de ontem (Piaf). Ou talvez ouvir Sara Groves em músicas novas, frutos de sua experiencia em Ruanda… Um pouco contribuído pelo novo post do Fernando Meirelles em seu blog, onde ele retrata uma cena linda do filme que está fazendo, Cegueira. Enfim, tudo isso ressoa em mim de forma estranha.

Uma certa inquietação me surge, uma vontade de chorar, de me expressar, de cantar. Não sei, queria derramar isso de alguma forma. Não sei se um post aqui resolve, mas ajuda. Confundo tanto meus pensamentos, nem sei porque estou assim… Será uma alma de artista, que precisa exportar seus sentimentos para algum meio visível, audível, sensível?

Quero muito cantar minhas músicas, de uma forma calma. Sonho com um público sereno, que me escuta enquanto canto as coisas que tenho guardadas aqui. Quero cantá-las com emoção, com verdade, como eu falaria se fossem palavras a um amigo, e não notas em uma canção.

Um dia terei esse sonho realizado. Quisera poder cantar mais afinado também, e mais facilmente, pra deixar o canal cada vez mais leve para derramar esse sentimento de forma mais tranquila. Enfim, parece que preciso fechar os olhos e silenciar. Ou então cantar bem alto alguma canção que solte a alma de uma vez.

São sentimentos felizes. Emotivos, mas felizes. Quero expressá-los, mas por aqui não dá. Vamos nos encontrar em algum lugar onde possamos cantar?

…sem palavras.

September25

Não há palavras pro nosso amor
Não há versos, não dá pra rimar
De um jeito que possa transpor
O que cabe no nosso amar

Não sei como escrever mais estrofes
Não suportam em sua estrutura
A largura do meu sentimento
Essas letras não aguentarão

Nosso amor é grande, dá inveja
Todo bom recalcado detesta
E faz careta quando nos vê

Nem poema nem prosa persiste
E nem este soneto resiste
Ao tamanho do eu e você

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